“Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”.
Neste momento a frase acima me trás sentido, ao mesmo tempo em que me assusta com realidade tão profunda e principalmente comparando-a com a realidade tão, feia, cega e surda de minha cidade.
Triste massa que grita e mostra toda sua força exigindo tanto do futebol, quebrando tudo quando seu time não vai bem no campeonato ou quando seus dirigentes tão corruptos como poucos ou iguais a tantos outros iguais a nós que não comprem suas funções com o mesmo amor e entusiasmo com que a torcida o faz. Talvez, eu disse “talvez”, os mesmos tão criticados acabam sendo mais cedo ou mais tarde os mesmos que outrora criticavam, ou seja, a mesma torcida que chorava por amor e por ver tantos erros presentes em seu objeto de veneração, passa a ter a mesma atitude em outros campos da vida, furando a fila do banco, sujando as ruas com seu lixo próprio, enfim, cometemos os mesmos erros, mas em pequenas escalas “sem importância”.
Gritamos, choramos e apontamos os erros dos outros sem olhar o nosso. Pare e pense, quantas não foram às vezes que você silenciou diante de uma situação pra desta forma levar qualquer vantagem, ainda quando criança quantas vezes não se fez de amigo para jogar o game mais legal da rua do garoto mais chato da mesma, ou ameaçou o menor para que ele ficasse sempre ao seu lado como um fiel escudeiro, uma espécie de Sancho Pança moderninho. Desde cedo aprendemos que o correto é levar vantagem em tudo e o importante mesmo é sempre sairmos vencedores, mesmo que alguns tantos tenham que perder pra isso. Dentro desta realidade, aprendemos também que a mudança é muito difícil e mais ainda por que não somos nós os errados, mas sim os outros...
E aprendemos também que a corrupção daquele que soube tirar vantagem para seu benefício não é criminoso, mas é na verdade “esperto” por que “ele rouba, mas faz!” O pão e o circo tão antigo e tão vivo em nós! Trocando em miúdos, ele apenas fez o que nós faríamos se tivéssemos a mesma oportunidade.
Preferimos não ver, ou não enxergar que nossas pequenas mudanças significam sim uma mudança maior, que nossa mudança de habito reflete nos outros mesmo que de forma lenta. Preferimos não ver o que esta diante de nós. Mudar pra que, afinal, o ano só começa depois do carnaval, o que realmente importa é meu time ganhando e a comida na mesa. O Obama que se preocupe em salvar o mundo...De nós mesmos!